Escolha uma Página

Maré Vermelha, 2017

2017

O corpo do ator Romário Oliveira aparece em variações desta cor. Seus movimentos foram sugeridos a partir da repetida escuta de uma canção. Os discretos fones de ouvido são visíveis ao cair da nuca, por seu cabelo quase raspado. A mira recebe apoio das negras e perpendiculares molduras dos monitores de vídeo. O foco são suas costas nuas. No entanto, o corpo respira, o peito sanfona, nega a captura exata de seu conjunto absoluto. O vai e vem dos movimentos o identifica ao mesmo tempo que permite sua diluição entre manchas e embates. Enquanto o braço retumba, as cabeças se multiplicam. Se chocam em looping constante, enquanto outras fingem inteiras, enganadas pela crença de que não são alvos fáceis. Ele persiste, se mantém ereto ainda que fragmentado, anônimo, como incógnito são os corpos visto nas valas, nos jornais, nos barracos, nas salas, na exposição. A Maré é vermelha.

Tiago Gualberto

(Igarapé/MG, 1983)
Tiago Gualberto é artista visual e pesquisador no Museu Afro Brasil. Mestrando em Artes Visuais na ECA/USP, iniciou seus estudos na Escola de Belas Artes da UFMG, no mesmo período que foi bolsista do programa de Ações Afirmativas da universidade. Possui bacharelado em Tecnologia Têxtil e Moda pela EACH/USP. No ano de 2009, foi finalista Mundial do Concurso de Criação de Padronagem para produção de Furoshiki (tecido de embrulho tradicional japonês) promovido pela Fundação Japão/Tóquio e Ministério das Relações Exteriores do Japão. Já participou de mais de uma dezena de mostras coletivas em importantes instituições brasileiras, como a coletiva Nova Mão Afro-brasileira, no Museu Afro Brasil, em 2012; e 3 mostras individuais, como a intitulada Magia Negra, no SESC Pinheiros, no mesmo ano. No exterior, participou de diversas mostras coletivas como a Bienal de Valença: Encuentro entre dos mares, na Espanha, em 2007 e AfroBrasil:  Art and Identities, no National Hispanic Cultural Center, em Albuquerque, nos EUA, em 2015. Foi bolsista no Tamarind Institute, integrado a New Mexico University durante o programa Afro: Black Identity in America and Brazil, em 2012. Neste mesmo ano se destacou como finalista da categoria Artes Visuais do Programa Nascente, promovido pela Pró-reitoria de Cultura e Extensão USP e, em 2015, é um dos finalistas da Bolsa Funarte de Fomento aos Artistas e Produtores Negros, o maior prêmio destinado a artistas afro-brasileiros.